O que a Budweiser quer com cerveja artesanal?
BE Marcas AB Inbev

Budweiser causou muita polêmica lançando um comercial no intervalo do Super Bowl (final do campeonato de futebol americano), afirmando o fato de ser “macro” e desdenhando das cervejarias artesanais.

O mercado se revoltou e achou irônico, já que a própria cervejaria é dona de algumas cervejarias artesanais. Todos acharam muito estranho que a cervejaria critique uma Pumpkin Peach Ale no comercial, porque uma de suas novas aquisições produz exatamente este produto!

Nesta semana apareceu de novo na mídia na compra de mais uma cervejaria artesanal, desta vez foi a Wals, de Belo Horizonte.

Eu digo compra porque a empresa fundiu seus ativos com a Bohemia e os donos das antigas cervejarias tem participações na nova empresa. Mas pelo tamanho da Bohemia, a participação da AB InBev será maior e, portanto, deverá ser a cultura que prevalecerá no final do processo.

Agora que todos estão mais calmos, , vamos analisar um pouco mais a fundo esta relação para tentar entender o lado estratégico da empresa.

Primeiro, hoje a Budweiser (Anheuser-Busch) não é mais uma empresa independente. Ela foi comprada pelo grupo brasileiro/belga InBev, (agora chamado AB InBev), o maior conglomerado cervejeiro do mundo, donos de grandes marcas mundiais como Leffe, Stella Artois, Corona e Becks, mas também marcas líder de mercados específicos como Skol e Brahma, no Brasil, Quilmes, na Argentina e Cass, na Coréia.

Este gigante que vem mexendo com o mercado norte americano de cervejas artesanais, comprando cervejarias artesanais, como a Elysian (Seatlle), Goose Island (Chicago), Blue Point (Long Island) e 10 Barrel (Oregon).

O grupo vem acompanhando uma queda continua nas vendas da Budweiser nos últimos 25 anos, saindo de um patamar de 50 milhões de barris (aproximadamente 6 bilhões de litros) em 1988 para apenas 16 milhões (menos de 2 bilhões de litros) em 2014.

Outro dado perturbador para a marca é que, de acordo com estudos, 44% da população norte americana com idade entre 21 e 27 anos nunca provou uma Budweiser.

A situação atual da empresa não é boa, inclusive levando a venda da mesma para o grupo. Mas os donos da AB InBev são conhecidos ao redor do mundo por comprar empresas com marcas com grande potencial e conhecimento do público, dar um choque cultural de gestão para diminuir drasticamente os custos e potencializar a marca para gerar mais vendas.

O grupo começou com uma cervejaria brasileira chamada Brahma e, através de aquisições e fusões se transformou neste monstro do mundo cervejeiro. Mas mesmo antes, este grupo de acionistas tem uma história de sucesso em outras áreas: criaram seus primeiros milhões no mercado financeiro e tem uma das maiores operação de varejo eletrônico no Brasil.

Hoje estes executivos seguem buscando novos desafios, novas marcas com grande potencial para receber este choque de gestão, fazendo com que este potencial se torne vendas e lucro para os acionistas.

Eles são donos de outras duas grandes marcas mundiais que passam por este processo neste exato momento: a famosa rede de hambúrgueres Burger King e provavelmente a marca de ketchup mais conhecida no mundo, Heiz!

Tendo em vista o modelo de gestão, com excelentes resultados financeiros no passado, os próximos passos da AB InBev não devem fugir muito do que estamos vendo no mercado.

O grupo encontrou na cerveja artesanal um mercado que cresce dois dígitos todos os anos, tomando espaço das cervejas comerciais, que registram crescimentos ínfimos no mesmo período.

Entre 2010 e 2013, 836 novas cervejarias foram criada nos Estados Unidos, totalizando mais de 2,800 em atividade!

E portanto ela deve seguir investindo para colocar o seu pé neste mercado, através de aquisições que vão abalar o mercado.

Acredito que no curto prazo, vamos ver mais aquisições no mercado artesanal, é inevitável.

A grande dúvida é se as novas cervejarias vão ter liberdade para manter sua criatividade e seus produtos de nichos, tão importantes e valorizados neste mercado.

Ou se elas vão ser forcadas à otimizar o lucro e parar de otimizar a qualidade de suas criações!

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commentaire:
Data:
18/04/2015 03:30:10
Nome:
Giovanni Calmon
Comentário:
O grupo Garantia (na época sediado no Rio de Janeiro) começou suas aquisições ainda nos anos 80 com a Brahma e Lojas Americanas. A aquisição da Antártica só aconteceu no fim da década de 90.
Resposta:

Ola Giovanni, 
Exato, a Ambev comecou com a Brahma e nao a Antartica.
Estamos alterando o texto.
Obrigado pelo toque!!!

Data:
15/02/2015 05:38:19
Nome:
Cicero
Comentário:
este movimento era inevitável e a pergunta era qual é quando seria comprada pela Ambev. Tem muito espaço para crescer no brasil e acredito que ações como está vão aquecer ainda mais
Data:
13/02/2015 12:21:36
Nome:
Ricardo Colalillo
Comentário:
Acho que sou "old fashion", para mim cerveja artesanal segue o processo "artesanal" de fabricação, deve ter a essência do cervejeiro que está produzindo. Mesmo a Wals sendo uma boa cerveja, já não considero mais artesanal... perdeu a essência. Mas ressalvo, ainda continua sendo uma boa cerveja, boa qualidade, diferente dos sucos de milho e outros cereais não-maltados que encontramos no mercado!
Data:
13/02/2015 09:48:10
Nome:
José Frederico Hespanha Matt
Comentário:
Não devemos tirar por base o mercado americano, porque lá não existe esse cartel que existe aqui no Brasil e as cervejas especiais deles tanto as nacionais como as importadas são três vezes mais baratas que as nossas... A Budweiser perdeu mercado sim, mas acredito que a cervejas LIGHT tenham grande contribuição para isso também... Hoje a cerva mais vendida nos Estados Unidos é a BUD Ligth que é da AB Inbev. Das cincos cervejas mais vendidas nos Estados Unidos a execessão da Budweiser todas são LIGHT...
Data:
12/02/2015 19:57:00
Nome:
Matheus
Comentário:
Creio, na minha humilde opinião, que mesmo que a grande maioria das empresas que produzem cerveja artesanal sejam compradas e seus produtos percam qualidade, isso não será um problema. Se a qualidade cai, o consumidor procura outro produto. Se as boas cervejas artesanais somem do mercado, abrem-se portas para a entrada de novas marcas, com qualidade, para preenche-las.
Resposta:

Desculpe, mas nao tivemos a oportunidade de participar dos comentarios antes por um problema em nosso sistema!
Ralmente determinar qual cervejaria se encaixa na nomeclatura de artesnaal é sempre muito complicado.
Nos Estados Unidos, o titulo de craft beer é muito importante por questoes fiscais, ja que estas cervejarias pagam menos impostos.

Mas no Brasil, eu concordo com o Matheus, independente de ser artesanal ou nao, a qualidade do produto deve prevalecer.

So fico com medo que, no longo prazo, estas compras das cervejarias artesnais pelos gigantes nao leve ao menor espaco para as demais cervejarias pequenas/atesanais.

Editorial

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